Desenhar sempre foi meu hobby predileto, mas de uns tempos para cá perdi este hábito, como se eu tivesse perdido a intimidade com o lápis e o papel.
Desenhar sempre foi meu forte, e poderia dizer que era uma espécie de teletransporte para o meu mundo da fantasia. Me lembro das bonecas que desenhava, personagens que criava, e uma delas é especial e foi crescendo junto comigo. Ela se chama Maria Mackarenna. É um nome bem esquisito, eu sei, mas fazia parte da imaginação de uma garotinha de oito anos. A medida que fui crescendo, a Mackarenna também foi, e posso dizer que era bem divertido criar diferentes roupas e cabelos para essa querida personagem minha.
Papel e caneta, combinação perfeita e única. Não existia nada melhor na minha vida. Desenhar era meu vício, meu refúgio e não importava a hora e nem o lugar. Quantas vezes era obrigada assistir aquelas aulas chatas de geografia do professor Dermeval? Ninguém aguentava aquele homem! Meu fichário era prova viva disso, pois havia Maria Mackarenna em todas as bordas das minhas folhas, e quando estas acabavam, eu terminava de desenhar na mesa (que era totalmente pichada pelos vândalos da escola).
E quando eu tinha que ir ao médico com a minha mãe? Aquilo era torturante! Eu não gostava nada de esperar na recepção com um monte de coroas até que a minha mãe fosse atendida. Os minutos insistiam em ficar estacionados no mesmo lugar, eu ouvia o tic-tac, mas não via os movimentos dos ponteiros. Eu ficava a ponto de erupção, até que eu via uma cafeteira acompanhada de biscoitos e guardanapos. Bem... logo os guardanapos sumiam com a caneta da minha mãe e logo surgia uma P. acompanhada da Mackarenna.
Hoje tenho 22 anos e a Mackarenna também. Ela é parecida comigo no modo de se vestir e com seu jeito meigo e explosivo ao mesmo tempo. Ela é sonhadora, mas tem alguns momentos de "insônia" em sua vida, na qual se obriga a ficar acordada para melhor percepção das coisas. Ela tem um ar sexy com uma pitada de inocência. Até hoje a minha personagem é um enigma para mim, assim como eu sou para meu espelho.
Eu queria que a vida fosse assim, desenhar e pintar. Errar e apagar, e se esses erros deixassem marcas no papel, era só amassar e colocar uma folha em branco no lugar. Cada rabisco seria um trilho, em cada esboço um sorriso, cada personagem um novo amigo para com a nossa mente poder brincar de inventar.
Quem me dera se eu pegasse minha caixa de lápis de cor e pudesse colorir esse mundo cheio de tristeza, fome, guerra e violência. Queria eu usar a borracha e apagar tudo de errado que há com esse mundo em que vivemos.
Se o nosso mundo fosse desenhado, sem dúvida ele seria mais colorido e feliz. As crianças dariam palpites, pintariam também com caneta hidrocor, lápis de cor e giz.
"Um mundo desenhado... ainda tenho esperança, pois nada está acabado."
That's it!
2 comentários:
Eita, porra!
Lembro muito bem da Mackarena. Acho que suas folhas foram insuficientes, tanto que a Mackarena pulou para as minhas justamente nas aulas do Dermeval, e também das demais matérias ( sejamos sinceras, não estudavamos). A sua Mackarena vestindo roupas sexy desfilando nas folhas alheias e eu desenhando guitarras pelas folhas e mesas da escola..hahah
Sempre assim, né, Magrela? Nossas frustrações transpostas para o que nos dava (dá) prazer, nos aliviando com o prazer da arte, mesmo que mal feito, ainda assim, é nosso, é o que nos alivia e desafoga.
P.S.: Quero ver a Mackarena vestindo as roupas que você desenha..hehe
Ah! Quero aquela blusa que você desenhou, trate de fazer uma pra mim! ruuum
Te amo, feiosa!
que saudade desses desenhos companheiros.... às vezes bate uma nostalgia mesmo.
Olha só como te entendo: http://prosaincerta.blogspot.com/2008/03/desconheo-o-autor.html
bjinhos
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