segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sem dinheiro e na rua, porém feliz...

Às vezes a felicidade não está dentro da carteira misturada com dinheiro, cartões de créditos e débitos, dinheiros, e cheques pré-datados contidos dentro dela. Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a sermos portadores desta.

Hoje acordei muito cansada. Esses remédios estão acabando com o meu sono, com o meu corpo e triplicando o meu apetite. Estava meio acordada, mas minha cama me prendia como uma espécie de feitiço, que não me deixava levantar. Quando finalmente tomei coragem, meu celular começou a vibrar debaixo do meu travesseiro. Era meu serviço me chamando. Tentei disfarçar a minha voz de fraqueza derivada de exaustão o máximo que pude e recebi minhas ordens: duas turmas para leccionar.

A vida não é tão dura comigo. Levantei, escovei os dentes, tomei meu café da manhã, é claro, coisas matutinas habituais de qualquer um,e fui fazer a minha parte nos meus serviços domésticos. Minha mãe disse para deixar que ela iria fazer as coisas, mas minha intuição pediu para ignorá-la, então, resolvi obedecê-la.

Demorei menos de duas horas para fazer tudo, e fui me arrumar. Só o meu cabelo demora quase meia hora. Mulher é uma raça desgraçada e não me canso de repetir isso.

Quando fui tirar o meu almoço, tive um sobressalto. Minha mãe estava na janela de ti ti ti e blá blá blá com a nossa inquilina, e não esquentou o almoço sabendo do meu compromisso. Num ataque de fúria, acabei soltando palavras feias (não palavrões) queixando-me da sua falta de compreensão para comigo.

Eu sou muito pateta, pois fui cutucar a onça com vara curta. Ouvi sermões sem motivos, coisas que só se passam na cabeça de vento e tempestade dela.

Esquentei meu almoço com a trilha sonora da repreensão violenta e degustei minha comida com o gosto amargo do aborrecimento. Depois disso tomei banho e saí com o meu irmão. Ele me emprestou R$ 5,00, pois eu estava somente com o dinheiro da mensalidade do inglês.

Cheguei no meu serviço com quinze minutos de atraso e com um peso na consciência por causa disso. Às vezes eu odeio a minha mãe...

As horas passaram depressa e quando fui ver, havia dado aula para as duas turmas: a do CH e a do Pre Teen. Algumas vezes sinto que transmito alguma magia enquanto ensino, pois mesmo com mau humor, todos me adoram e resmungam quando a aula se finaliza. Gosto de ensinar, e sei que estar com os meus alunos e passar um pouco do que aprendi a eles me faz bem.

Quando a terminei o meu trabalho corri para o dentista, e esperei um bom tempo na sala de espera. Por que será que toda vez que isso acontece me dá sono?

Bem, ainda consegui pegar o final da minha aula de inglês (como aluna) e voltei com o meu amigo Lipe. Comprei um biscoito e comi tudo sozinha. Minha intenção era dividir com ele, mas o parelho dental dele o impede de comer certas coisas. Coitado do Lipe...
Enfim.. mesmo com tantos aborrecimento em casa, e sem dinheiro praticamente, passei um dia maravilhoso fora do meu lar. Eu sou mais feliz na rua do que na minha própria casa, e me dou melhor com estranhos do que a minha própria família.

Como serei feliz?
"Sendo livre como um pássaro e invisível como o vento."

That's it!

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