Não sou doutora., mas quis brincar de ser uma. Assim pude usar minha autocrítica para avaliar esses seres hilários através do meu olhar clínico.
Minha primeira vítima, ou seria melhor paciente? Bem, não importa, foi um senhor lavando um carro cacareco, um vulgo fusca. Meu primeiro pensamento foi:
"Seria mais fácil se ele comprasse um carro novo. Olha só pra isso!"
Quando olhei novamente para o senhor com aquele cacareco, percebi que ele estava sorrindo. Ele se divertia ao lava-lo, de maneira óbvia que o cacareco, ou melhor, o fusca, guardava abundantes recordações, fossem elas tristes ou alegres. Enfim, fui seguindo meu trajeto deixando o sorridente senhor com seu velho carro.
Caminhando eu sozinha, olhando para o nada, presenciei outra cena: uma velhinha arrastando uma criança (que tinha idade para ser netinho dela) para a escola. Foi divertido em assistir o pequeno duelo com objetivos opostos: a senhora lutava com as poucas forças que lhe restava, para dar um bom ensino e educação ao garotinho, que por sua vez, tentava se esquivar o máximo, achando tudo aquilo demais para a vida dele.
Voltando para casa, passei por uma passarela, vi outra senhora. A primeira coisa que pensei foi:
"Será que hoje é dia dos idosos e eu não sei?"
Meu pensamento foi interrompido por uma reação apavorante: a velha saiu debaixo da passarela, deu de cara comigo e fez o sinal da cruz.
"Meu Deus, estou com encosto?" - me perguntei.
Fiquei totalmente estática e a expressão facial que fiz, até agora gostaria de saber qual foi, pois a velha riu e disse:
-Temos que nos benzer antes de sair de casa! - e seguiu em frente.
Quando finalmente cheguei na minha casa, percebi que não estava cansada, e sim, satisfeita. Foi divertido ser doutora por um dia.
Doutora alegria?
Olhei-me no espelho e vi um belo reflexo e a doutora voltou e desafiou:
-Quero ver alguém com um olhar clínico para você!
That's it!
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