Hoje acordei assustada, nervosa e com medo de levantar da cama. Me senti uma criança apavorada com alguma situação, mas nesse caso acredito que nunca irei me comportar como gente grande.
Depois de tanta enrolação, chegou o dia fazer exame de sangue, e esse dia foi hoje. Um dos tantos médicos que fui ver sobre meu problema de ATM, me garantiu que o meu dente siso está travando minha articulação. Cada médico me diz uma coisa diferente, e fui em muitos. Fui em dois dentistas e um ortopedista em Nilópolis, fui em dois bucomaxilos em Caxias e de lá fui encaminhada para Petrópolis e lá não resolveram nada. Em Portugal fui em dois especialistas e me passaram um aparelho para dormir, mas este não surgiu efeito algum, pelo contrário, só piorou minha articulação. Agora estou com um médico diferente (me tratando, pois nesse mundo de hoje é necessário se explicar tudo rs), e ele me garantiu que com a extração dos quatro sisos eu ficarei boa. Será uma cirurgia bem delicada e não é qualquer dentista que poderá fazer. Acho que é por essa razão que ficou tão caro...
O dia do exame de sangue chegou acompanhado pelo meu enorme medo. Eu não ia aguentar passar por aquilo sozinha, e assim que acordei liguei para o meu amigo Erick. Chegando no laboratório senti aquele familiar frio na barriga e pedi para o meu amigo me acompanhar. A enfermeira me colocou na cadeira, apertou meus dois braços com elástico, e de repente me lembrei da vergonha que fiz minha mãe passar quando eu era criança. Ela precisava do meu grupo sanguíneo para apresentar no meu colégio, e ela levou Broa e eu para fazermos exame de sangue. A Broa sempre mais atirada foi na frente e saiu rindo e tirando sarro da minha cara:
-Doeu nada!
Quando chegou a minha vez comecei a chorar e a me debater. Vieram quatro enfermeiros tentar me segurar, e eu saí distribuindo pontapés e consegui fugir da cadeira. Saí correndo pelo laboratório e cheguei na rua. Posso dizer que "surtei" naquele dia. Corri perto dos carros buzinando e logo senti alguém me segurando. Era minha mãe, a dona Cidão.. me deu uma surra e me levou a força para o laboratório novamente morrendo de vergonha, é claro.
Hoje me senti exatamente naquele dia. Eu, uma marmanja de 22 anos com medo de exame de sangue. Me deu vontade de fazer o mesmo quando eu tinha 7 ou 8 anos. Tentei me segurar o máximo que pude, mas o Erick disse que a cara que eu fiz na hora do exame e quando espetaram meu dedo ele jamais irá esquecer.
Eu não sei o que foi pior hoje: o exame de sangue ou ficar em jejum.
My God! Eu estava me sentindo um zumbi. Minha barriga roncava tão alto, que eu senti medo de espantar os cãezinhos de rua rs
Chega de mico, e vamos pra parte chata do dia: Fiz a minha famosa macarronada aqui em casa. Na hora de comer, reparei que havia feito comida demais. Fiz muito macarrão para uma pessoa só, eu!
Era tão bom quando a casa estava cheia, e todos brigavam pelo meu macarrão... agora me sinto estranha aqui sozinha. Me lembrei agora de um trecho da música do Renato Russo. Ela se chama "Mil Pedaços".
"Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,e a saudade mais bonita."
Quero a Broinha de volta!
That's it!
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