segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Just Add

Para ela, estar em evidência é tudo.

Não é fã de modinha e muito menos de ser copiada. É muito criativa na hora de se vestir, desde sua lingerie até a fita de cabelo.

Com apena dezesseis anos, é dividida. Ao mesmo tempo em que é vanguarda, adotando seu próprio estilo e não ligando para estilistas famosos, é também tradicional. Não gosta de chamar atenção, mas quando isso acontece, acaba esquecendo-se de sua própria opinião, e deixa-se elevar pelo ego e elogios masculinos e àquelas pontinhas de inveja femininas.

Com todos esses valores e princípios dados em sua criação, onde cresceu ouvindo que a simplicidade era o mais importante e não o que vestimos, ela sente uma súbita afinidade com o mundo Fashion, onde descobre seu lado consumista querendo comprar mais e mais, e ter o resultado com o reflexo de seu espelho: a sexy e linda adolescente desabrochando, cuja vida está apenas no início.

Ela e suas amigas (da mesma idade) frequentam um café perto da praia, pois residem nessa região paradisíaca, onde têm o privilégio de cultivar a amizade, azarar alguns gatinhos com a supervisão do sol e do mar, onde tudo é lindo e belo. Estão no ensino médio, o tal famoso ano da popularidade e da posição de destaque. No horário do intervalo ela e as amigas vão à cantina da escola, que é um lugar especialmente delas, com aceso a internet e uma mesa somente delas. Quando viajam, preferem as cidades urbanas ao invés das litorâneas para saírem da rotina marítima. Na cidade grande ela e suas fiéis companheiras se perdem no meio de tantas novidades e descobrem gostos e em comum e ao mesmo tempo uma julga a outra de cafona.

Com estilo leve e descontraído, sempre se destacou das demais, usando peças antigas misturadas com os hits da estação, afinal nunca foi fã de seguir revistas, vitrines e catálogos, preferindo deixar seu lado da imaginação fluir. Mesmo tendo que trabalhar alimentado golfinhos, não deixa seu lado vaidoso de lado. Com a beleza levemente escondida por baixo do simples uniforme, ela compensa nos acessórios, maquiagens e cabelos. Uma jovem com a vida apenas iniciado quer mais ser o centro das atenções, mesmo negando pra si mesma.

Pertencente a classe B, lamenta ter que trabalhar, já que seus pais preferem investir o que ganham em sua educação a pagar roupas mais roupas sem necessidade, segundo eles. Ela trabalha apenas para ter suas coisas.

"Quem é que gosta de passar na frente de alguma vitrine e não poder levar nada? Ou viver andando de ônibus e trens lotados por que não tem dinheiro para comprar um carrinho (nem o mais caído da loja)?" - Ela sempre pensa, e como é uma jovem centrada, pensa pelo lado dos pais:
"Não podemos esquecer das coisas fúteis que sempre queremos comprar e que não poderíamos viver sem. Remédios, alimentos e roupas também são essenciais para a nossa vida, e precisamos de dinheiro para tê-los.
Ser pobre nesse sentido é muito ruim, mas dá para sobreviver."

Assim é ela, nossa querida Vaidade Juvenil.

Nenhum comentário: