quarta-feira, 2 de julho de 2008

Patas da fama

Hoje eu estive cercada pelos seres que amo de paixão, os cãezinhos.

Passei o dia na rua (trabalhando, é claro), e vi um cachorro mais engraçado que o outro. Vi desde os mais sofisticados até os vira-latas. Os mais limpinhos e os mais sujinhos também. Se eu fosse comer tudo o que vi, seria uma salada boa pra cachorro.

Às vezes me acho ruim, coração de gelo e alma vazia, mas discordo disso tudo quando vejo algum cãozinho sofrendo. Por que tenho piedade destes pobres bichinhos e não consigo sentir o mesmo pelos seres humanos? Eu poderia responder a esta pergunta em diversas maneiras:


  • Nós os seres humanos, somos seres racionais. Pensamos em tudo, nossos atos são calculados, e outras vezes não;

  • Magoamos muitas pessoas, as que mais amamos e as que não sentimos o mesmo sentimento;

  • Cometemos o mal, mesmo sabendo que é errado.

E os cãezinhos?



  • Eles pensam com o coração, astúcia e não sabem diferenciar o certo do errado;

  • Quando nos magoam, fazem de tudo para conseguir o nosso carinho, mesmo de ter levado uma surra depois;

  • Tudo que fazem ser fiel ao dono, e cuidar do que é seu.


Eu estava afim de pensar na vida, e resolvi voltar pra casa caminhando. Comprei um pacote de biscoito de polvilho, para manter o corpinho (ô, mentira!), e fui andando e olhando as coisas ao meu redor. Atravessei a passarela, e dei de cara com cachorro dormindo. Safadinho! O dono dele vendendo balas e ele , dormindo com a barriga pra cima.


Quando eu estava mais ou menos na esquina da minha rua, deparei-me com uma matilha. Pareciam cães de caça mesmo, apesar de serem uns vira-latas. Estavam correndo na frente dos carros, uns brincando com os outros. Passaram por mim como se eu não existisse.

Estava quase no meu portão, e vi uma cena digna de desenho animado: uma cadela sentada e outro cão sentado atrás desta catando e comendo suas pulgas. Nojento, porém engraçado. Eu só via na TV esse tipo coisa.

Chegando em meu lar doce lar, meus bichinhos fizeram a festa. Meu papagaio Dinho falava sem parar, minha cadelinha Honey veio com sua bolinha na boca e a Shakira, cadelinha da Broa, pulou para o meu colo. Tem coisa mais gostosa do que essa? Em algumas ocasiões prefiro que o mundo fosse cheios de cães em vez de seres humanos, pois os cães nos amam sem pedir nada em troca. Pensando melhor, só na hora da comida que eles viram interesseiros rs.

As horas voaram e fui pro meu curso de inglês. Me atrasei um pouco e corri para encontrar meu amigo Lipe. Quando estava chegando perto da casa dele, vi um lindo cachorrinho deitado na calçada. Ele era uma raça indefinida. Era um branco com marrom, e tinha uma mancha canelada no olho esquerdo, como quem tivesse levado um soco hauhauha. Devia ter uns quatro ou cinco meses no máximo. O danadinho me olhou e começou a me seguir. Apertei o passo e ele fez o mesmo. Desviei-me para o meio da rua, e o coitado também. Ele estava afim mesmo de me adotar como dona e nem deu importância aos carros, tanto e que ele quase foi atropelado por um. Soltei um grito na rua e ele me olhou com a cabeça meio que de lado. Com um gesto mandão e um ar de manda-chuva, coloquei a mão na cintura e falei pra ele:

-Pára de me seguir, meu! Já tenho três cachorros e um papagaio, e além do mais, minha mãe me mataria se visse você. Deita lá e fica quietinho.

Continuei andando e quando cheguei ao portão do Lipe, olhei para trás. O cãozinho engraçado havia sumido. Bateu uma tristeza, mas foi melhor assim.

E pra fechar meu dia, mais uma coisa engraçada. Depois que jantei com meus pais fui lavar a louça. Ouvi um sininho familiar bem de longe: era o pipoqueiro. A Honey ouviu também e foi pulando e latindo histericamente como quem pedisse pra ir lá fora.

Interesseira!

Só porque o pipoqueiro sempre joga pipocas para ela.

Fui comprar as pipocas e ela foi comigo. Pulou no pipoqueiro, sentou, latiu e esperou até que ele jogasse as pipocas para ela.

Êita, inteligência!

Sabe porque amo tantos esses seres?

Porque cachorro é bom pra cachorro!

That's it!

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